Concelho

História

Origem do nome
No início do século XIII, Pedro Ferreiro, besteiro de D. Sancho, a quem este doara parte da área atual deste município, atribui foral a então denominada Vila ferreiro.
Dada a proximidade do rio Zêzere, já em tempo da monarquia liberal, a vila vem chamar-se Ferreira do Zêzere.
História
Em 1159, D. Afonso Henriques doa à Ordem dos Templários o termo de Cêras, que inclui cerca de metade da área do Concelho. Assim pela primeira vez, é feita referência ás terras de riba-Zêzere na documentação de doação.
Em 1190, D. Sancho e sua mulher doam a sua herdade de Vale de Orjais a Pedro Ferreiro, um besteiro do rei, como recompensa pela sua bravura contra os mouros na defesa de Montemor – o – Novo.
Trinta e dois anos mais tarde, é atribuído foral a Vila Ferreiro por Pedro Ferreiro e Maria Vasques, A partir de 1306 passa a pertencer aos Templários. Em 1319 transita para a Ordem de Cristo, dividida em diversas comendas (células administrativas concedidas a eclesiásticos e cavaleiros de ordens militares).
D. Nuno Rodrigues, mestre desta ordem, coloca a primeira pedra para construção dos paços de Ferreira do Zêzere em 1362.
Corre o ano de 1517, quando as populações se recusam a prestar juramento em Vila de Rei e o Rei D. Manuel I termina o conflito, decidindo que Ferreira do Zêzere tenha forca e pelourinho próprios. Mais tarde, em 1531, D. João III torna-a Vila.
Durante o século XVI este local conhece inúmeros lugarejos devido à forte dispersão de localidades.
Ao longo dos tempos é alvo de grandes impasses no seu desenvolvimento, tais como a peste e as invasões Francesas.
A configuração do actual concelho é delimitada em 1836 pela reforma administrativa de Rodrigo da Fonseca Magalhães, entre 1940 e 1950.

Heraldica

Image
Caracterização

Ferreira do Zêzere, situado no topo norte do distrito de Santarém, é um território de transição geográfica entre o Ribatejo e as Beiras, entre a lezíria e os pinhais do interior, distando cerca de 150 km de Lisboa e 184 km do Porto.

Com uma área de cerca de 190 km2, é constituído por 7 freguesias: Águas Belas, União de Freguesias de Areias e Pias, Bêco, Chãos, Ferreira do Zêzere, Igreja Nova do Sobral, Nossa Senhora do Pranto. É limitado a norte pelo município de Figueiró dos Vinhos, a nordeste pela Sertã, a leste por Vila de Rei, a sul por Tomar, a oeste por Ourém e a noroeste por Alvaiázere.

É um território de grande riqueza e diversidade, com paisagens substancialmente diferentes, pelo tipo de floresta, pela vegetação, pelos solos, pela agricultura, em suma por diferentes paisagens. O concelho destaca-se pela beleza natural e paisagística proporcionada pelo Rio Zêzere (Albufeira de Castelo de Bode) e pela vasta mancha florestal que lhe conferem excelentes potencialidades turísticas. Dispõe de diversificado património arqueológico e histórico, religioso, arquitetónico e cultural de que são exemplo a Gruta de Avecasta, Torre Pentagonal de Dornes (Construção Templária), Templo de Nª. Sra. do Pranto, Igreja das Areias (N.ª Sra. da Graça), Pelourinhos de Pias e Águas Belas entre outros elementos e património classificado.

Toda a região em que se insere este concelho é muito acidentada e com estrutura geológica variada. A maior parte é constituída por terrenos provenientes da desagregação de xistos, quartezitos e grês, existindo na periferia da vila terrenos de várzea bastante férteis.

Sob o ponto de vista topográfico, a vila situa-se numa pequena "crista" com uma altitude média de 350m. A única depressão com maior significado situa-se a norte do aglomerado, a que corresponde uma linha de água que torna essa zona mais húmida. Assim, o relevo não teve influência directa e decisiva no desenvolvimento da Vila, pois embora o núcleo embrionário apareça no cabeço, a sua expansão fez-se de uma forma radial, no sentido de todos os pontos cardeais, ao longo do traçado de vias de comunicação, que, estas sim, foram directamente marcadas pela sinuosidade própria das elevações.

O concelho é limitado a nascente pelo importante curso de água - Rio Zêzere, que deu nome à vila, e no qual se situa uma importante obra de hidráulica - albufeira do Castelo de Bode. Toda a região tem um subsolo bastante rico em água, excepto a zona de Chãos.

Lendas
Lenda de Dornes
A vila de Dornes fica no concelho de Ferreira do Zêzere. Apesar de existirem provas documentais de que até ao século XV foi conhecida por Dornas, um velho manuscrito existente na Biblioteca Nacional de Lisboa explica que a etimologia da povoação proveio da lenda que vou contar.
Há muitos séculos atrás, as terras desta região pertenciam à Rainha Santa Isabel, mulher de el-rei D. Dinis. Era feitor da Rainha, na região, um cavaleiro chamado Guilherme de Pavia, ao qual atribuíam proezas milagrosas.
Conta-se deste homem que, certa vez, passou a pé enxuto o rio Zêzere, caminhando de uma margem para a outra sobre a sua capa, que lançara sobre as águas.
Um dia, andava Guilherme de Pavia atrás de um veado na banda de além do Zêzere, onde só havia brenhas e matos espessos, quando ouviu uns gemidos muito dolorosos. Tentou saber de que sítio provinham e, apesar de perder algumas horas nesta busca, nada conseguiu achar, pois os gemidos pareciam provir dos mais diversos locais. No dia seguinte voltou ali e de novo os gemidos se espalharam à sua volta, vindo agora de um tufo espesso de mato, depois de um rochedo, numa ciranda sem fim. Guilherme de Pavia sofria espantado, partilhando a dor daquele alguém que parecia fazer parte do universo. Ao terceiro dia tudo se repetiu como antes.
Tomou, pois, a decisão de partir para Coimbra onde estava a sua senhora, a fim de lhe relatar aqueles estranhos factos. Assim que chegou à cidade dirigiu-se imediatamente à pousada real e solicitou a sua visita a D. Isabel.
Esta, mal o viu, e depois das saudações devidas, disse-lhe:
-Vindes por via dos gemidos, Guilherme?
-...!
-Não precisais espantar-vos! Três noites a fio sonhei com eles e sei do que se trata.
-O que é então, Senhora? Procurei por todo o lado e nada vi!...
- Bem sei. Deus contou-me tudo nos sonhos. Agora vais voltar ao local e procurar onde te vou dizer: aí acharás uma imagem santa de Nossa Senhora, com o Filho morto em seus braços.
-Assim farei, minha senhora Dona Isabel! Mas, e depois, que faço eu dessa imagem?
-Guardá-la-ás contigo até me veres chegar junto a ti!
Despediu-se Guilherme de Pavia da Rainha Santa, levando na memória a localização exacta da moita onde a imagem de Nossa Senhora o aguardava gemendo, e partiu de Coimbra.
Já de volta a terras do Zêzere, o cavaleiro dirigiu-se à serra de Vermelha, como lhe dissera D. Isabel, e foi milagrosamente direito a determinada moita onde achou enrodilhada em urzes a imagem da Virgem pranteando a morte de seu Filho.
Durante algum tempo manteve-a consigo, na sua própria casa. Os gemidos haviam cessado e assim Guilherme de Pavia tinha a Santa Imagem na sua câmara, com um archote aceso de cada lado.
Um dia, a Rainha Santa foi, finalmente, às suas terras do Zêzere resolver o caso da imagem. Assim, junto a uma velha torre pentagonal que já aí existia, mandou erigir uma ermida para a Virgem achada nas moitas. E nessa torre - que provavelmente foi construída pelos Templários -, ordenou que se instalassem os sinos da ermida.
Em breve o povo começou a construir casas em redor da capela e da torre e, diz a lenda, a Rainha Santa deu a essa vila nascente o nome de Vila das Dores, nome que com o tempo se teria corrompido até dar Dornes.
É isto o que conta a lenda transcrita no velho manuscrito.
A capela com a sua torre sineira ainda hoje existem, e a imagem achada há muitos séculos atrás é venerada sob a designação de Nossa Senhora do Pranto.
 
in Frazão, Fernanda. "Lendas Portuguesas", vol. IV, pág. 75-79. Ed. Multilar. Lisboa: 1988
 
Lenda do Ladrão Gaião
Numa torre junto á estrada de Coimbra, vivia um gigante que roubava os viajantes.
Um dia por ali passou um anão e quando o assaltante se baixo para lhe extorquir a bolsa recebeu uma fatal cutilada. Porém, ao cair acabou por esmagar o infeliz anão.

Património

Torres
Torre Pentagonal de Dornes
De raiz romana e de perfil templário, Pentagonal irregular foi adaptada a torre sineira no princípio do século, situando-se numa pequena península enriquecida pela albufeira.
Na base da torre há vestígios de construção romana, as ventanas abertas no séc. XVI, viram ao poente. Os cunhais são formados de blocos de calcário e as paredes de xisto. Tem aproximadamente vinte metros de altura, a porta de acesso fica ao norte e sobe-se para ela por uma escada exterior. O vão interior é coberto de abobadilha de cúpula feita de tijolo encabeçando a estrutura primitiva. Como verga da porta de entrada está uma pedra lavrada na parte superior com dois círculos (escudos naturalmente)e entre eles uma lança e um dardo.
No interior da Torre, ao alto, na abobadilha de tijolo pode ver-se uma ilegível lápide romana. O pavimento de traves e de tabuado serve para o serviço dos sinos.
 
Torre do Langalhão, do Ladrão Gayo ou de D. Gaião
Milheiros - Avecasta
Entre os lugares de Milheiros e Avecasta, na estrada de Tomar para Cabaços podemos apreciar este imóvel de interesse público. No entender de Carvalho da Costa o verdadeiro nome é Torre do Ladrão Gayão .Este Gayão era «homem poderoso, pouco aceito no povo e severo nas matérias de justiça». A tradição também nos fala do alcaide don guiã e seria senhor de uma herdade que doou á ordem do Templo. Sabe-se que a palavra «torre» poderá significar casa alta.
Restam dois paredões formados por silharia de calcário.

Contactos

Praça Dias Ferreira, 38
2240-341 Ferreira do Zêzere
Linha de Atendimento ao Munícipe
+351 249 360 150
geral@cm-ferreiradozezere.pt

Localização

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